Veloce.Net
Português
English
Español
Press releases

Pátria quer até US$ 1,4 Bi em Fundos de Infraestrutura e Imobiliário

Agência Estado 

São Paulo, 15 – Especializado na gestão de investimentos e assessoria corporativa, o Pátria Investimentos está em processo de captação de recursos para dois fundos, um de infraestrutura e o outro imobiliário. Em entrevista exclusiva à Agência Estado, o sócio e um dos fundadores da companhia, Alexandre Saigh, disse que são US$ 1 bilhão para a carteira de infraestrutura e US$ 400 milhões para a imobiliária. O executivo não detalhou as fontes destes recursos, mas afirmou que os investidores estrangeiros costumam ter uma participação expressiva em suas captações. Do total de R$ 5,5 bilhões em recursos administrados pela empresa, 50% foi captado no exterior.

De acordo com Saigh, a tradição de captar no exterior vem desde a origem da empresa, que nasceu da Patrimônio Participações, constituída em 1988 por meio de uma associação com o banco de investimento norte-americano Salomon Brothers. “A parceria se desfez quando o controlador do Salomon Brothers se fundiu com o Citibank, mas o nome do banco Patrimônio já estava divulgado no exterior quando montamos o Pátria”, disse. Posteriormente, os sócios brasileiros venderam as operações de banco de investimento ao Banco Chase Manhattan, atualmente JPMorgan.

Apesar da maior receptividade do mercado externo ao Brasil devido às condições atuais do mercado, o executivo explicou que os estrangeiros estão mais preocupados com o retorno dos investimentos. “Se o Brasil tivesse uma crise institucional, o interesse seria menor. Mas o que facilita o acesso ao exterior é a performance obtida em investimentos anteriores”, afirmou.

Outra importante fonte de recursos do Pátria são os fundos de pensão brasileiros, especialmente para o fundo imobiliário. A captação que está em curso nesta área já contou com a participação de cerca de oito fundos de pensão brasileiros de pequeno e médio porte e este número pode ficar entre dez e doze até o final do processo. Segundo Saigh, as fundações estão procurando investimentos alternativos à renda fixa devido à queda dos juros nos últimos anos.

No fundo imobiliário também existem investimentos de pessoas físicas brasileiras, de fundações estrangeiras (da Europa e Estados Unidos) e de famílias no exterior. Em fundos imobiliários, o Pátria administra hoje US$ 500 milhões e está captando mais US$ 400 milhões.

Nesta área, o Pátria atua prioritariamente na compra de galpões e imóveis corporativos de empresas que querem se desfazer destes bens para investir no seu principal negócio. Saigh explicou que muitas companhias investiram em imóveis durante os anos de inflação elevada para se proteger da desvalorização do dinheiro, e agora o movimento é inverso. “Em geral compramos o imóvel e alugamos para a mesma companhia durante 20 ou 25 anos”, afirmou. De acordo com ele, cerca 80% dos investimentos dos fundos imobiliários do Pátria ocorrem neste segmento, enquanto o restante é voltado para shoppings e imóveis comerciais.

O setor de infraestrutura também tem atraído a atenção do mercado devido às perspectivas de novos investimentos, estimulados pelo crescimento econômico e também pelos eventos que serão realizados no Brasil nos próximos anos, como Copa do Mundo e Olimpíadas. Segundo ele, o Pátria já investiu cerca de US$ 560 milhões na área de infraestrutura anteriormente, sendo que a maioria dos recursos vieram de investidores externos.

A empresa criou uma área de infraestrutura em 2006 para a compra de participações em empreendimentos voltados para a oferta de serviços básicos, como energia, comunicações, transporte e saneamento. Naquele ano, por meio do fundo Pátria Energia, investiu na Empresa de Investimento em Energias Renováveis (Ersa), que atua na construção e aquisição de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas movidas a biomassa e centrais eólicas. O Pátria detém 24,27% de participação na Ersa. Os outros acionistas da Ersa são o BBI FIP, do Bradesco, o Fundo Brasil Energia, do BTG Pactual, a Eton Park (investidora internacional do setor de energia), o grupo GMR e a DEG, parte do Banco de Desenvolvimento do Governo Alemão.

Private Equity

No segmento de private equity, o Pátria está em busca de novas oportunidades de negócios porque passou por uma etapa de desinvestimento no ano passado, quando se desfez de participações na Casa do Pão de Queijo, Dasa, Casa Cor, Anhanguera Educacional e Tivit (embora mantenha uma fatia nas duas últimas). “Desinvestimos bastante no segundo semestre de 2009, quando o mercado melhorou. Agora o foco está em comprar ao longo deste ano, mas sem pressa”, disse. O prazo previsto para estes investimentos é de 24 meses.

Atualmente, o Pátria tem quatro empresas em seu portfólio: Tivit, Anhanguera, Veloce e Zatix. Tanto a Veloce, da área de logística, quando a Zatix, de rastreamento de cargas, entraram no portfólio em 2009. A empresa tem cerca de dois anos para investir nestes negócios antes de desfazer sua participação. Segundo Saigh, foram captados US$ 700 milhões em 2008 para o fundo mais recente de private equity e, até o momento, apenas um terço destes recursos foi investido, o que dá fôlego para o fundo fechar novos negócios sem a necessidade de captações adicionais. “Ainda temos mais de US$ 450 milhões para investir”, afirmou.

As atenções do fundo estão voltadas para três áreas específicas: a agroindústria, o consumo básico (que inclui educação, saúde e habitação) e serviços de logística. De acordo com o executivo, existem conversas preliminares com possíveis alvos, e 2010 promete ser um bom ano. “Estamos voltados para estes setores porque acreditamos que o Brasil tem vantagens competitivas nestas áreas”, disse. O Pátria administra cerca de R$ 2,1 bilhões em private equity, o que corresponde a quase metade da sua carteira total de R$ 5,5 bilhões.

(Natalia Gómez)