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Replicaremos nossa expertise para outros setores da economia

Global - Comércio Exterior e Transporte - None - NOTÍCIAS

Valeria Bursztein, de São Paulo

Com apenas dois anos de atuação no competitivo setor automotivo, a Veloce Logística obteve em 2010 faturamento de R$ 160 milhões, 14,5% acima do esperado, e projeta para este ano ultrapassar a barreira dos R$ 200 milhões. O crescimento, segundo o diretor presidente da empresa, Paulo Roberto Guedes, estará sustentado pela diversificação dos setores atendidos. “Queremos replicar nossa expertise para outros setores da economia. Serviços como coleta, consolidação, preparação para embarque internacional, sistema de armazenagem e transporte são adaptáveis para outras operações, mas queremos oferecer outras opções, como armazenagem, consolidação e transporte fracionado”, diz Guedes.

Pertencente ao grupo Pátria Investimentos, a Veloce Logística ganhou musculatura com um extenso portfólio de serviços, atuando em todos os elos da cadeia logística: milk run, armazenagem, cross docking, distribuição, transporte nacional/internacional e interplantas, bem como documentação internacional, passando também a operar nos setores de eletroeletrônicos e bens de consumo. A empresa conta hoje com uma respeitável carteira de clientes, formada por empresas como Toyota, Fiat, Honda, Renault, Bimbo, Unilever, Sancor, Nívea e Procter & Gamble.

No setor automotivo, a empresa lida com a coleta de 7.200 part numbers em 400 fornecedores, realiza mensalmente cerca de 6 mil viagens milk run, percorrendo mais de 1,7 milhão de quilômetros no País. Entre o Brasil e a Argentina são 1.600 viagens por mês, com um volume mensal de 128 mil m³ de mercadorias transportadas.

Com escritórios no Brasil e na Argentina, 17 bases operacionais, cerca de 500 funcionários e 475 carretas, a Veloce tem no horizonte a aquisição de outras empresas cuja sinergia faça sentido para suas operações. Da mesma forma, investimentos em ativos são possíveis, mas dependem da demanda. Acompanhe a entrevista que o diretor presidente da Veloce Logística concedeu ao Global Online.

 

Global Online: Na coletiva de imprensa que noticiou a criação da empresa, informou-se que o fundo de investimentos Pátria, sócio da Veloce , tinha um plano de investimento em infraestrutura de R$ 200 milhões para os próximos cinco anos. Qual é a vantagem de ter um fundo de investimentos como sócio?

Paulo Guedes: São diversas vantagens. O fato de contar com o Pátria Investimentos nos garante uma capacidade de investimento muito grande e dá uma flexibilidade muito maior, além de termos um ótimo apoio de gestão financeira.

 

Global Online: Qual é a expectativa de faturamento da empresa para este ano?

Guedes: Devemos chegar aos R$ 200 milhões. Em 2010, nosso faturamento foi de R$ 160 milhões, 14,5% acima do esperado.

 

Global Online: Esse aumento no resultado deve-se à diversificação de setores com os quais a empresa vem operando?

Guedes: Sim, neste ano estamos fazendo o transporte internacional também para outros setores além do automotivo, como o alimentício e o de varejo. Temos clientes como a Danone, Sancor e Unilever, cujo transporte internacional conquistamos ao longo do ano. O próprio crescimento do setor automotivo, de expansão muito intensa nos últimos três anos, incrementou o volume operacional, e felizmente temos acompanhado esse ritmo.

 

Global Online: Qual é o market share da empresa?

Guedes: É difícil comparar, mas somos a maior empresa transportadora do setor automotivo do Mercosul, com o maior volume transportado por modal rodoviário entre fronteiras.

 

Global Online: Existem planos de expansão?

Guedes: Claro, queremos levar esses serviços – como, por exemplo, coleta programada, consolidação e transporte internacional – para outras montadoras e temos planos de crescer para outros setores. Adicionalmente, montamos um planejamento estratégico e pretendemos voltar nosso foco para outros setores além do automotivo, como o eletroeletrônico e de bens de consumo, nos quais replicaremos um pouco do nosso modelo operacional.

 

Global Online: Em termos de solução logística, isso é possível?

Guedes: Muitas vezes, sim. Coleta, consolidação, preparação para embarque internacional, sistema de armazenagem e transporte são adaptáveis, além de vários outros serviços. Queremos oferecer outras opções, como armazenagem, consolidação e transporte fracionado.

 

Global Online: Isso implica a aquisição de ativos?

Guedes: Isso dependerá muito do cliente. Temos a filosofia de acompanhar o cliente onde ele estiver. Começamos a trabalhar com muita intensidade na fronteira entre o Brasil e a Argentina, em Buenos Aires, e depois fomos para Rosário, com a General Motors; iniciamos operações em Belo Horizonte (MG), com a Fiat, e em Curitiba (PR), com a conta da Renault… Ou seja, à medida que os clientes forem demandando, nós os acompanharemos.

Estamos procurando um WMS e investiremos, junto com o Pátria, em armazéns, se for necessário. Nosso objetivo é evitar, sempre que possível, que o cliente imobilize seu capital com ativos próprios para esse tipo de operação.

 

Global Online: Os setores eletroeletrônico e de bens de consumo são extremamente competitivos…

Guedes: Sim, e é um mercado que tem crescido intensamente. Por isso, há muitas oportunidades. O País vive um momento de grande atividade econômica, com crescimento proporcional da demanda.

 

Global Online: Nesse contexto, há mais pressão sobre o operador logístico no que se refere à eficiência?

Guedes: Acredito que sim, porque as empresas estão percebendo que a logística é, de fato, um instrumento estratégico para qualquer companhia. Hoje não se discute logística pela simples necessidade de diminuir custos com transporte e armazenagem. Sabe-se atualmente que a logística faz parte do negócio da empresa. Além disso, o mercado percebe que a terceirização faz sentido porque a empresa mantém foco no seu core business e delega a quem sabe a operação logística. Nesse contexto, os operadores ganharam visibilidade no processo e passaram a ser mais exigidos em termos de eficiência e qualidade de serviços.

 

Global Online: A intralogística ganhou corpo na discussão sobre a eficiência operacional, certo?

Guedes: Sim, muito. Quando se pensa na cadeia, primeiro falamos do inbound (a cadeia dos insumos), depois da intralogística (movimentação dentro da planta) e posteriormente do outbound. Como as plantas e as fábricas estão cada vez maiores, a movimentação de insumos, peças e produtos acabados é cada vez mais complexa. A pressão sobre a eficiência da logística interna está cada vez maior. Na medida do possível, vamos oferecendo soluções para estudar essa intralogística e propor soluções mais eficientes. Alguns clientes permitem essa ingerência; outros, não.

 

Global Online: A empresa tem operação na Argentina. As dificuldades na fronteira com o Brasil, especialmente nas operações com veículos, afetaram a operação da Veloce ?

Guedes: Ainda não, porque trabalhamos com autopeças na alimentação de plantas, e as fábricas continuam produzindo os mesmos volumes. O maior problema foi na entrada de produtos acabados, mas acredito que a situação virá a se resolver, porque o momento mostra que as indústrias automobilísticas brasileira e argentina funcionam como uma só – uma alimentando a outra.