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Com entrada de fundo, Gafor já planeja expansão

Canal do Produtor - DF - LOGÍSTICA E INFRAESTRUTRA

Depois de passar os últimos anos sendo assediada por fundos de investimento – e negando a entrada de todos eles em sua participação -, a Gafor Logística aceitou, no dia 15 de agosto, um aporte de aproximadamente R$ 70 milhões de um dos fundos da gestora NEO. Com a quantia, a empresa familiar direcionará investimentos para a expansão dos negócios no setor – o que inclui a entrada na briga pelo mercado de transporte de automóveis, atualmente dominado pela gigante de capital aberto Tegma.O primeiro contrato no segmento está “quase fechado”, segundo Sérgio Maggi Júnior, presidente da Gafor Logística. Além do aumento da frota própria, que atenderá em parte a nova empreitada, os recursos terão como objetivo impulsionar o crescimento em operações dedicadas (que cuidam de todas as etapas logísticas para os clientes, o chamado one-stop-shop) e de agronegócios, que já constituem os principais mercados da companhia. A cana-de-açúcar tem destaque no portfólio graças à prestação de serviços logísticos de plantio, transbordo, transporte e corte para a Raízen. Entre outros grandes clientes, estão Fibria, Ambev, Nestlé e Walmart. Hoje, a empresa opera também em território internacional, em três países: Argentina, Uruguai e Chile.Com a chegada do fundo de investimentos e dos recursos, uma nova etapa se inicia para a empresa de perfil familiar que hoje opera em quatro países e faturou R$ 390 milhões em 2010. “Temos o suficiente para dobrar de tamanho nos próximos anos”, acredita Maggi, um dos quatro irmãos em cargos executivos do grupo – filhos do fundador, Sérgio Maggi. A organização nasceu como uma transportadora, em 1951, e hoje atua em seis áreas: além da Gafor Logística, a Arconvert Brasil (de fabricação de autoadesivos), Gafor Distribuidora, Gafor Empreendimentos Imobiliários, Maggi Agropecuária e a Gafor Comércio de Veículos. A de logística continua a principal em faturamento.Pelas negociações, o fundo NEO Capital Mezanino FIP (ainda com cerca de R$ 250 milhões para outros investimentos) pode optar por ter 30% da composição acionária da Gafor Logística, sob um acordo de debêntures conversíveis em ações.Segundo Maggi, desde 2003 a empresa é procurada por fundos. Antes resistente à ideia da entrada desses grupos na participação da empresa, a Gafor cedeu graças aos “alinhamentos de valor”, segundo Maggi. “São investidores que acreditam em crescimento sustentado a longo prazo”, diz. A NEO Investimentos é uma gestora de recursos independente fundada em 2003, que gere atualmente US$ 1 bilhão em diferentes modalidades de fundos de investimento, incluindo Multimercados, Private Equity, Ações e Real Estate. Por meio dos demais fundos, a gestora investiu no grupo Editoria Nacional, no grupo Predial de Serviços, na Masb Desenvolvimento Imobiliários e na Livraria Cultura.A concordância do grupo à entrada do investidor estratégico na Gafor Logística, responsável pela maior parte das receitas do grupo, é apenas mais um exemplo da prática que se tornou comum em companhias do setor e pode ser vista como um sinal da necessidade de investimentos para o crescimento de empresas de médio porte.Em 2009, dois fundos da gestora Governança & Gestão, do ex-ministro do Planejamento Antonio Kandir, compraram uma participação minoritária da Rapidão Cometa. Os valores da transação não foram divulgados – nem pelo fundo nem pelos donos da empresa. Em 2008, a Pátria Investimentos criou com sócios a Veloce , que transporta principalmente peças automotivas e hoje registra R$ 160 milhões em faturamento.A entrada de investidores estratégicos faz frente à abertura de capital das grandes. A JSL (antiga Júlio Simões Logística), por exemplo, teve sucesso na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no ano passado e em 2010 faturou R$ 2 bilhões. Outra que teve sucesso no IPO foi a Tegma, que se lançou na bolsa em 2007 e faturou R$ 1 bilhão no ano passado.

Autor: Fábio Pupo. Fonte: Valor Economico