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Com entrada de fundo, Gafor já planeja expansão

Valor Econômico - SP - EMPRESAS

Fábio Pupo | De São Paulo

Sergio Maggi Júnior, presidente da Gafor Logística: “Temos o suficiente para dobrar o tamanho nos próximos anos”

Depois de passar os últimos anos sendo assediada por fundos de investimento – e negando a entrada de todos eles em sua participação -, a Gafor Logística aceitou, no dia 15 de agosto, um aporte de aproximadamente R$ 70 milhões de um dos fundos da gestora NEO. Com a quantia, a empresa familiar direcionará investimentos para a expansão dos negócios no setor – o que inclui a entrada na briga pelo mercado de transporte de automóveis, atualmente dominado pela gigante de capital aberto Tegma.

O primeiro contrato no segmento está “quase fechado”, segundo Sérgio Maggi Júnior, presidente da Gafor Logística. Além do aumento da frota própria, que atenderá em parte a nova empreitada, os recursos terão como objetivo impulsionar o crescimento em operações dedicadas (que cuidam de todas as etapas logísticas para os clientes, o chamado one-stop-shop) e de agronegócios, que já constituem os principais mercados da companhia. A cana-de-açúcar tem destaque no portfólio graças à prestação de serviços logísticos de plantio, transbordo, transporte e corte para a Raízen. Entre outros grandes clientes, estão Fibria, Ambev, Nestlé e Walmart. Hoje, a empresa opera também em território internacional, em três países: Argentina, Uruguai e Chile.

Com a chegada do fundo de investimentos e dos recursos, uma nova etapa se inicia para a empresa de perfil familiar que hoje opera em quatro países e faturou R$ 390 milhões em 2010. “Temos o suficiente para dobrar de tamanho nos próximos anos”, acredita Maggi, um dos quatro irmãos em cargos executivos do grupo – filhos do fundador, Sérgio Maggi. A organização nasceu como uma transportadora, em 1951, e hoje atua em seis áreas: além da Gafor Logística, a Arconvert Brasil (de fabricação de autoadesivos), Gafor Distribuidora, Gafor Empreendimentos Imobiliários, Maggi Agropecuária e a Gafor Comércio de Veículos. A de logística continua a principal em faturamento.

Pelas negociações, o fundo NEO Capital Mezanino FIP (ainda com cerca de R$ 250 milhões para outros investimentos) pode optar por ter 30% da composição acionária da Gafor Logística, sob um acordo de debêntures conversíveis em ações.

Segundo Maggi, desde 2003 a empresa é procurada por fundos. Antes resistente à ideia da entrada desses grupos na participação da empresa, a Gafor cedeu graças aos “alinhamentos de valor”, segundo Maggi. “São investidores que acreditam em crescimento sustentado a longo prazo”, diz. A NEO Investimentos é uma gestora de recursos independente fundada em 2003, que gere atualmente US$ 1 bilhão em diferentes modalidades de fundos de investimento, incluindo Multimercados, Private Equity, Ações e Real Estate. Por meio dos demais fundos, a gestora investiu no grupo Editoria Nacional, no grupo Predial de Serviços, na Masb Desenvolvimento Imobiliários e na Livraria Cultura.

A concordância do grupo à entrada do investidor estratégico na Gafor Logística, responsável pela maior parte das receitas do grupo, é apenas mais um exemplo da prática que se tornou comum em companhias do setor e pode ser vista como um sinal da necessidade de investimentos para o crescimento de empresas de médio porte.

Em 2009, dois fundos da gestora Governança & Gestão, do ex-ministro do Planejamento Antonio Kandir, compraram uma participação minoritária da Rapidão Cometa. Os valores da transação não foram divulgados – nem pelo fundo nem pelos donos da empresa. Em 2008, a Pátria Investimentos criou com sócios a Veloce , que transporta principalmente peças automotivas e hoje registra R$ 160 milhões em faturamento.

A entrada de investidores estratégicos faz frente à abertura de capital das grandes. A JSL (antiga Júlio Simões Logística), por exemplo, teve sucesso na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no ano passado e em 2010 faturou R$ 2 bilhões. Outra que teve sucesso no IPO foi a Tegma, que se lançou na bolsa em 2007 e faturou R$ 1 bilhão no ano passado.