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Multimodal – Setor automotivo: falha na entrega pode parar a produção

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Modelo de excelência em práticas de logística, este segmento requer OLs e transportadoras realmente comprometidos, uma vez que, trabalhando com prazos e estoques mínimos, não pode haver falha na entrega dos materiais.
O setor automotivo, pela sua grandeza e complexidade da cadeia de suprimentos, é o pioneiro e ainda hoje modelo de excelência das práticas de logística para os demais setores. Foi neste segmento, por exemplo, que surgiram os métodos do Just in Time, kanban e milk-run, entre outros. “A evolução do mercado automobilístico transformou os próprios conceitos de marketing, consumo e produção industrial, fazendo todo o mercado migrar do sistema de ‘empurrar’ produtos de acordo com a capacidade das fábricas para ‘puxar’ a produção conforme as necessidades e desejos dos clientes. Assim, as indústrias de automóveis foram as primeiras a reduzir estoques e trabalhar com entregas programadas na linha de montagem.”
Ainda de acordo com Paulo Roberto Guedes, diretor-presidente da Veloce Logística (Fone: 11 3818.8000), esse sistema de eficiência operacional foi adotado por outros segmentos, mas ainda hoje o setor automobilístico é estudado como referência por conta do seu elevado nível de planejamento logístico, uma vez que o produto de alto valor agregado precisa se valer das mais eficazes técnicas de abastecimento, transporte, armazenagem e distribuição para permanecer competitivo e diferenciado diante da comoditização do automóvel.
Com base nesta análise, podemos dizer que o setor automotivo apresenta inúmeras características que o diferenciam dos demais: o prazo de entrega é sempre mínimo; o tempo é um fator de extrema importância, pois muitas vezes se está abastecendo linhas de montagens que não podem parar; pelo fato mencionado anteriormente, a velocidade das operações e o time de utilização dos produtos em linha de montagem/produção são críticos; os fornecedores estão na planta do fabricante; os prazos são Just In Time e nenhum pode ser quebrado, ou seja, o cumprimento dos horários é mais estreito e inflexível; o estoque é sempre mínimo, mais como segurança; necessita de transporte expresso, com diferentes volumes, especificações e necessidades; as grandes montadoras funcionam com montagem de veículos em grande escala, o que demanda um atendimento logistico ininterrupto 24 horas por dia, 7 dias por semana. Podemos dizer que temos “uma operação nervosa”.
Detalhes
Cristiano Koga, diretor de vendas e engenharia da Penske Logistics América do Sul (Fone: 11 3738.8200), destaca que a área automotiva tem uma grande demanda fabril, muito maior do que os demais segmentos. “Se falha a entrega de alguma peça ou matéria-prima, a linha de produção para e a empresa de logística pode ser penalizada por isso. O desafio do Operador Logístico desta área é se adaptar às demandas de volumes para a produção dos carros.
“O que muda é o sincronismo que precisa existir nas linhas de montagem, por exemplo, devido à variação de produtos dentro da mesma produção.
Não podemos nos esquecer de que, neste caso, estamos lidando com componentes de alto valor durante toda a manipulação”, acrescenta Ricardo Mendes, gerente de engenharia da Manserv Logística (Fone: 11 4225.5800).
Wendell Fernandes, gerente executivo de transporte local e rodoviário da Santos Brasil (Fone: 11 4393.4900), já destaca que o diferencial deste setor está no gerenciamento de risco, já que demanda alta segurança, devido ao alto valor agregado. Além disso, o cuidado no manuseio dos equipamentos e a logística diferenciada garantem o abastecimento no modelo JIT (Just In Time), por exemplo. “Assim, a separação e o transporte dos itens para atender a sequência de montagem nas linhas de produção são realizados no tempo mais próximo ao da produção, aumentando a eficiência do processo e reduzindo a necessidade de estoques intermediários. O tempo de resposta às demandas devem ser extremamente confiáveis, ou seja, os recursos devem ser planejados com plena eficiência para que os pedidos sejam atendidos e minimizem custos adicionais”, esclare Fernandes.
Giuseppe Lumare Júnior, diretor comercial da Braspress Transportes Urgentes (Fone: 11 2188.9000), faz a sua análise dos diferenciais do setor dividindo-o. “A diferença com outros segmentos é que o setor automotivo tem maior necessidade de urgência nas entregas, seja no mercado de reposição – lojistas – e nas situações de carros parados – concessionárias e oficinas –, quando o consumidor final, por exemplo, não quer (ou não pode) ter o seu veículo quebrado por muito tempo, por isso necessita daquela autopeça com a maior rapidez para concluir a manutenção reparadora ou preventiva. Sem falar que os lojistas também precisam manter estoques baixos e o giro do capital com velocidade para a continuidade saudável de seu negócio.”
Gennaro Oddone, diretor-presidente da Tegma Gestão Logística (Fone: 11 4346.2500), destaca que a logística no setor automotivo é bastante complexa, seja no transporte de veículos zero quilômetro, seja nas operações inbound, de transporte de autopeças entre fornecedores e montadora. Os produtos de alto valor agregado exigem uma operação eficiente, desde a armazenagem até a distribuição das unidades espalhadas por milhares de pontos pelo país, segundo ele. Isso cria exigências ainda maiores para o planejamento e uma fortíssima gestão de processos.
“O setor automotivo é bastante dinâmico e inovador, por isso vem trabalhando com uma diversidade de serviços, e novos produtos são constantemente apresentados ao mercado. Esta ampliação de oferta está diretamente ligada à logística. Por isso, atuar com este segmento demanda grande flexibilidade na rotina de operação, como a utilização de roteiros diferentes e não-uniformes.” Ainda segundo análise de Metrioni de Borba, gerente geral de logística da Transportadora Plimor (Fone: 11 2131.8000), outra característica diz respeito aos prazos. Como as indústrias e concessionárias estão trabalhando com estoques mínimos, os prazos de entrega são cada vez mais curtos. A estas duas características, soma-se ainda o alto valor agregado da mercadoria, o que exige das transportadoras investimentos em rastreabilidade, segurança e controle de informação precisos.
Tendências
Como dito no início desta matéria especial, o setor automotivo é referência em termos de logística para os outros setores. Assim, fica a pergunta: quais as tendências neste segmento, em termos de logística?
Hermano Lamounier, diretor comercial da Expresso Lamounier (Fone: 31 3555.5500, diz que é, a cada dia, terceirizar mais estas atividades, com o intuito de minimizar sempre o prazo de entrega e a não formação de estoque nas montadoras – “a tendência é que as empresas automobilísticas tenham estoques cada vez menores e pré-montagens de componentes feitas por Operadores Logísticos”, completa Mendes, da Manserv. Tendência parecida com a apontada por Mauricio Gomes, diretor da TA Logística – TALOG (Fone: 19 2101.7185): de melhorar dia a dia, para que o estoque seja mínimo e extremamente seguro.
Terceirização dos serviços logísticos também é uma tendência apontada por Koga, da Penske Logistics. Ele diz que isto deve ocorrer porque a indústria automotiva hoje está mais preocupada em desenvolver pesquisa e desenvolvimento. “Os outros processos, ela prefere deixar na mão de empresas especializadas. É importante lembrar que a industria automotiva foi pioneira nesse processo”, diz ele.
Adilson Santos, diretor executivo da TGA Logística (Fone: 11 3464.8181) para Brasil e Mercosul, também aponta como tendência a terceirização dos serviços logísticos, mas, destaca, com empresas comprovadamente capacitadas e especializadas no atendimento ao setor automobilístico. Além da terceirizaçao dos serviços logísticos, Oddone, da Tegma Gestão Logística, aponta a concentração das operações em poucos players, capazes de integrar todas as etapas logísticas, e que, portanto, têm de atender requisitos de qualidade muito maiores.
Cláudia Las Casas Guimaraes, diretora comercial do Grupo TPC (Fone: 11 3572.1700), aponta outra tendência: o setor caminhar, cada vez mais, para uma Logística JIT – “as operações serão mas versáteis e com regras simples de se operar os estoques”, completa Roberto Alves, CEO da Maxitrans Transportes & Logística Internacional (Fone: 11 3685.2786). Para Gilberto Antonio Cantú, diretor da Transportes Diamante (Fone: 41 2101.0100), a especialização deve ser cada vez maior. Também são apontados por ele como tendências: softwares específicos de coletas, horários de coleta e entrega na fábrica agendados, planos de contingências em caso de interrupção de estradas e KPI´s específicos de medição.
“A redução sistemática de estoques e a competitividade fazem com que as empresas automotivas alterem o perfil de negociação com as empresas de logística. Os novos contratos com acordos de níveis de serviços (SLAs) definidos, transparência nos volumes a serem operados, discussão e busca em conjunto de alternativas de melhoria criam um novo patamar de prestadores ao setor logístico. Com este Operador em sintonia com as necessidades do setor, a indústria automobilística cria parcerias mais consistentes e coesas. Nesse novo modelo, as empresas de logística podem parar de olhar o dia a dia e buscar novos projetos de longo prazo.” A análise, agora, é de Fernandes, da Santos Brasil.
Já Borba, da Transportadora Plimor, salienta que a diversificação e a segmentação dos produtos deverão se manter como item de competitividade entre as montadoras, resultando na redução dos ciclos de vida dos modelos de produtos, na ampliação dos prazos das garantias e nos pacotes de serviços agregados. E para dar suporte a este comportamento mercadológico, a logística deverá prezar pela agilidade e flexibilidade nos prazos e roteiros de entregas.
Luiz Fernando Simabukulo, gerente de marketing e customer service da TNT (Fone: 11 3573.7900), por sua vez, diz que a tendência envolve a busca de empresas de transporte com grande cobertura para atender ao segmento de manutenção de veículos (revendas, oficinas).
Guedes, da Veloce Logística, completa dizendo que a melhoria contínua dos processos logísticos não é uma tendência, mas a própria missão dos operadores que atuam no mercado automobilístico, como em outros. Diante desse desafio, é preciso aliar o melhor da inteligência humana às tecnologias de ponta para encontrar sempre pontos onde obter ganhos operacionais. “Acreditamos que algumas das tendências logísticas neste segmento são: maior integração nos fluxos entre países do Mercosul, com o crescimento do mercado interno e as grandes possibilidades de exportação; crescimento de oportunidades para Operadores Logísticos que atuem como integradores de transportadoras a serviço da cadeia automobilística; consolidação de operadores logísticos por meio de fusões e aquisições, com oportunidades para aqueles que apresentarem maior capacidade de investimentos em tecnologia e gestão de pessoas, bem como maior eficácia na aplicação desses recursos no planejamento e operações.”
Finalizando esta questão, Lumare Júnior, da Braspress, diz que o setor de reposição automotiva deve continuar em ritmo de crescimento de 10% ao ano para acompanhar a expansão da frota nacional, que deve atingir 50 milhões de veículos em circulação até 2015. “Com a chegada de novas marcas ao país e, consequentemente, o aumento da competição, cada vez mais a velocidade das entregas também deve acontecer.” Problemas e soluções
Quando se fala em problemas logísticos, não importa qual o setor, sempre aparecem os mesmos: falta de infraestrutura das rodovias brasileiras, muitas delas em precárias condições de uso, trânsito e restrição à circulação de veículos nas grandes cidades. “Portos e infraestrutura antiquada não acompanham o desenvolvimento da indústria automotiva, transporte (veículos antigos) e, com relação a MOB, a forte pressão sindicalista muitas vezes torna a logística complexa e ineficiente”, diz Cláudia, do Grupo TPC.
“Como nos demais setores, a logística do setor automobilistico precisa superar diariamente os desafios impostos pela infraestrutura ainda precária no transporte e pela burocracia no comércio internacional. A eficácia e melhoria contínua nos processos de abastecimento das linhas de produção e gestão da armazenagem tornam as montadoras competitivas entre si, mas se compararmos a competitividade do automóvel nacional com o estrangeiro, ainda há muito a caminhar, e este caminho passa fundamentalmente pela melhoria na infraestrutura logística e na burocracia do comércio internacional.”
Guedes, da Veloce Logística, autor desta análise, diz que para desenvolver soluções para seus clientes que agreguem valor no longo prazo, inclusive minimizando os impactos dos gargalos estruturais e documentais já citados, os Operadores Logísticos (3PL) devem ter a capacidade de oferecer uma série de serviços integrados e customizados de acordo com a necessidade de cada cliente. Para isso, é imprescindível manter uma área de projetos, para buscar soluções logísticas cada vez mais adequadas, e estabelecer programas de melhoria contínua. Também é fundamental contar com a tecnologia mais avançada, principalmente na gestão da informação – como gerenciamento de riscos e monitoramento em tempo real. Em suma, é preciso reunir conhecimento e acesso rápido a profissionais, processos e tecnologia, serviços personalizados, mas que criem valor, disponibilidade de recursos (financeiros, humanos e materiais, inclusive ativos) e programas efetivos e permanentes de melhoria contínua, além de criar uma ampla rede de parcerias e alianças que possibilitem ao operador exercer atividades de transporte e distribuição, nacional e internacional, inclusive logística reversa, armazenagem e gestão de centros de distribuição, logística interna e montagem de subconjuntos, operações portuárias, aduaneiras e de comércio exterior, fornecimento de equipamentos e estruturas operacionais e sustentabilidade empresarial e proteção ao meio ambiente. “Considerando esses aspectos, empresas com muitos ativos próprios (asset-heavy) tendem a ter um conflito de interesses, pois muitas vezes a solução ótima para o cliente pode passar pela utilização de ativos diferentes ou mudar de formato ao longo do tempo. Em resumo: o valor agregado está no desenho e na implantação da solução, através de um relacionamento de longo prazo com clientes que tenham cadeias de suprimento complexas, como é o caso do setor automobilístico”, completa Guedes. Como se pode notar, especificamente no setor automotivo, outros problemas juntam-se aos de infraestrutura pura e simplesmente. Como, por exemplo, o apontado por Hermano, da Expresso Lamounier: a falta de espaço dentro das montadoras, obrigando a cada dia mais redução do volume por entrega e aumentando sempre o número de entregas. “A solução, aqui, é adotar veículos de entrega com capacidades menores, com melhor mobilidade nas ruas e estradas”, diz o diretor comercial. Falta de qualificação de mão-de-obra também é um outro problema do setor, agora apontado por Mendes, da Manserv. Para ele, a solução é formar a mão de obra internamente.
A estes problemas, segundo o CEO da Maxitrans, somam-se a falta de equipamentos específicos e de otimização de processos para gerar velocidade nas operações. “Buscamos planejar o atendimento com inovações tecnológicas e versátil ao setor”, diz Alves.
Mais profundo em sua análise, Koga, da Penske Logistics, salienta que as grandes dificuldades dessa área hoje estão relacionadas à demanda de mercado. A oscilação de demanda é muito grande na área automotiva. Qualquer coisa que ocorre na economia, influencia a procura.
Se o governo corta o desconto do IPI, por exemplo, os estoques ficam cheios. Quando volta o desconto, as vendas acontecem rapidamente e é preciso ser rápido para conseguir atender ao consumidor. “Como você depende de uma demanda de mercado, a chave é ter um bom planejamento de produção, de demanda, e ter gatilhos e saídas para atender a essas oscilações de mercado”, ensina o diretor de vendas e engenharia.
Para a Tegma Gestão Logística, o grande desafio é o desenvolvimento de soluções que atendam às demandas específicas de cada cliente, tanto em relação aos processos quanto em relação às operações. Segundo o diretor-presidente da empresa, uma das soluções é estreitar cada vez mais o relacionamento para entender as necessidades e, assim, oferecer uma solução completa.
Já para Borba, da Transportadora Plimor, o grande desafio é que o abastecimento da linha de produção até a concessionária no modelo Just in Time, adotado pelas montadoras, demanda a existência de malhas muito amplas, sincronizadas com a programação planejada pelos fabricantes e com grande confiabilidade de informações. A flexibilidade de operação também se faz necessária para não deixar de atender às entregas sob o risco de causar problemas de fornecimento nas linhas de produção.
Por ser uma carga muito visada, a segurança é outro grande desafio no mercado brasileiro, demandando altos investimentos em gerenciamento de riscos. “Por fim, há que se observar a integração logística no sistema de produção nacional e internacional, tendo em vista o volume de importação de peças. Este aspecto deve ganhar ainda maior relevância devido às recentes medidas de proteção adotadas pelo governo federal, somadas à carga tributária existente e burocracia dos processos alfandegários”, diz o gerente geral de logística.
Como soluções, Borba destaca que o que está ao alcance das empresas de transporte diz respeito aos investimentos em atendimento personalizado, à implantação de malhas cada vez mais ramificadas, à aquisição de veículos para atender aos diferentes perfis de entrega, em terminais automatizados, no rastreamento e gerenciamento de riscos da frota e, principalmente, na formação de uma equipe altamente qualificada. “É um conjunto de soluções, pois para conseguir atender adequadamente este segmento, não é possível investir apenas em um destes itens como fator de diferenciação.”
Finalizando, Santos, da TGA Logística, relata que o principal problema que enfrenta o setor automobilístico é a escassez de Operadores Logísticos capacitados para atendimento à demanda de processos logísticos complexos em sua totalidade. “Em grande maioria, o Operador Logístico somente está preparado para atender 40% do processo logístico. Como exemplo, citamos o transporte por rodovia internacional que, em sua grande maioria, é quarterizado.”
A solução – ainda segundo o diretor executivo da TGA Logística – é o setor automobilístico apoiar operadores moldados à sua necessidade e, de preferência, empresas nacionais que, em tese, possuem um profundo conhecimento do processo logístico brasileiro em sua essência e profundidade.