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O Crescimento dos Gastos Logísticos no Brasil e no Mundo

Mundo Logística

Diante do aumento da expectativa de vida em muitos países e do alto índice de natalidade mundial, o crescimento populacional, afirmam especialistas, é inevitável. Já alcançamos os 7 bilhões de habitantes e, nos próximos anos, teremos a necessidade de produzir quantidades cada vez maiores de bens e serviços econômicos. Não só para atender aqueles que vêm chegando, mas também, para melhorar o nível de vida de todos.

Essa necessidade também aumentará o grau de integração econômica entre países e empresas, significando expansão comercial internacional em volumes e níveis cada vez maiores.

 

As economias em desenvolvimento, que há 25 anos forneciam cerca de 14% dos manufaturados em todo o mundo, há 5 anos passaram a fornecer 40% e, atualmente, fornecem aproximadamente 45%. Há outras estimativas mais otimistas ou pessimistas, mas de qualquer forma, mesmo que muitos dos números não se confirmem totalmente, é fato que o comércio internacional – de bens econômicos e de serviços – aumentará muito, pois:

 

a)    Operações externas (tanto em mercados produtores como consumidores) acontecem e acontecerão em volumes cada vez maiores,

 

b)    No comércio internacional já se incluiu, de forma rápida e crescente, países emergentes como a China, Brasil, Rússia, Índia, África do Sul e alguns da Europa Oriental e de parte da Ásia,

 

c)    Novos acordos comerciais regionais são assinados constantemente,

 

d)    Estímulos cada vez mais consistentes no comércio mundial, com base nos sistemas eletrônicos de compra e venda,

 

Parece ser inevitável, portanto que haja um aumento substancial nos gastos com a logística, mas é importante fazer uma ressalva: os gastos logísticos poderão aumentar independentemente de possíveis melhorias na produtividade das operações logísticas (quando sempre se espera diminuição dos custos logísticos), posto que as mercadorias deverão percorrer distâncias cada vez maiores e por ambientes mais complexos, principalmente com a inclusão de novos mercados no comércio internacional. Portanto, afirmações de que os custos logísticos estão sempre aumentando (seja em relação à receita total das empresas ou dos seus custos operacionais), precisam ser avaliadas com cuidado e de forma ponderada, pois a simples comparação de gastos logísticos entre um período e outro, pode não significar aumento dos custos logísticos, mas, sim, do aumento com gastos logísticos oriundo da introdução de novas, mais complexas e mais abrangentes operações.

 

O professor Ronald H. Ballou, (Weatherhead School of Management, Case Western Reserve University, de Cleveland, Ohio/EUA), chama a atenção para esse fenômeno, batizando-o de 4D: Distância (mais longa), Demanda (maior), Diversidade (culturas diferentes) e Documentação (mais complexa e com exigências diferentes).

 

O crescimento previsto na movimentação de mercadorias criará diversos problemas novos, pois haverá operações com linhas cada vez mais longas, que solicitarão mais equipamentos de transporte, mais portos, aeroportos e muito transporte internacional. Será imprescindível, inclusive, a necessidade de se aprimorar os sistemas de seguro, de monitoramento das mercadorias e do gerenciamento de riscos. Outras dificuldades advirão da maior complexidade dos trâmites documentais, posto que as operações em países diferentes, com cultura e legislação diferentes, aumentarão.

 

Propositadamente estão grifadas as palavras gastos e custos, apenas como uma forma particular de diferenciá-los. A premissa, aqui, é apenas para indicar que apesar de todos os esforços das áreas de logística, na busca da diminuição dos custos logísticos, sempre possível e desejável, os gastos logísticos poderão estar aumentando em face de outros motivos, como, por exemplo, a decisão de se buscar insumos com preços mais em conta, só que, agora, em mercados mais distantes e/ou complexos! Ou porque, como estratégia, se quer alcançar novos mercados consumidores mais distantes! Consequentemente, torna-se imprescindível que se tenham em consideração, sempre, os chamados “custos totais”. É a única forma para se saber, corretamente, se alterações operacionais ou logísticas estão, de fato, sendo compensadas pelos impactos em seus custos ou se estão justificadas por decisões estratégicas. Além do que, considerando que ainda se discutem quais são os serviços que fazem parte da logística, as contabilidades das empresas podem estar incluindo, atualmente, como gastos logísticos, gastos que anteriormente eram contabilizados em outras rubricas. Mas tudo isto é assunto para outra matéria.

 

Aumento dos Gastos Logísticos e da Terceirização em Todo o Mundo

 

Portanto, constata-se, já atualmente, que os gastos logísticos mundiais têm alcançado valores bastante significativos. Diversos estudos (veja quadro a seguir) informam que em 2009 o mundo gastou mais de US$ 6,6 trilhões no ano com logística, ou seja, 11,4% do PIB mundial! Os EUA, em 2010 tiveram cerca de 7,7% do seu PIB destinados a gastos logísticos. Algo como 1,12 trilhão de dólares! Na Europa, 10% do PIB europeu ou US$ 1,6 trilhão no ano de 2009. No Brasil os gastos logísticos, calculados pelo ILOS e recentemente divulgados, chegaram aos US$ 237 bilhões, cerca de 10,6% do PIB brasileiro.

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Por outro lado, como também pode ser visto no quadro anterior, os operadores logísticos (3PL) aproveitaram o momento e aumentaram bastante sua participação no processo, obtendo crescimentos relevantes em seus faturamentos.

 

Estatísticas da Armstrong & Associados, dos Estados Unidos, indicam que os operadores logísticos naquele país têm aumentado substancialmente suas receitas, na medida em que há aumento dos gastos com logísticas e que estes serviços, por sua vez, estão sendo cada vez mais terceirizados.

 

O quadro a seguir mostra a evolução do faturamento dos operadores logísticos em atividade nos Estados Unidos. Já no segundo quadro a seguir, indicação dos maiores operadores logísticos, em todo o mundo e seus respectivos faturamentos em 2010.

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Fonte: Armstrong & Associados – USA – May / 2012.

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Fonte: Armstrong & Associados – USA – May / 2012.

Aumento dos Custos Logísticos nas Empresas

 

Já, pelo lado dos “tomadores de serviços logísticos”, diante desse “estado da arte”, o gasto com a logística – também crescente – passou a ser fator determinante de competitividade. O quadro a seguir, a partir de dados do ILOS (Instituto de Logística – Custos Logísticos 2011), indica, por segmento econômico e em três anos distintos, quanto representa o custo logístico para as empresas brasileiras, com relação à receita líquida das empresas.

 

No caso brasileiro, percebe-se também, que as maiores participações dos custos logísticos, na receita líquida das empresas, se dá nos setores de mais baixo valor agregado, tais como: Agronegócio, Bebidas, Papel e Celulose, Material de Construção e Decoração, Alimentos e Comércio Varejista. E todos com percentuais acima da média geral, que em 2010 ficou em 8,5%. Em contra partida, os menores impactos ficaram com setores, teoricamente, fabricantes de produtos de valor agregado maior: automotivo e de autopeças; tecnologia, computação e eletro eletrônicos. A diferença entre maior e menor (13,43% e 3%), pode ser explicado pelo fato do valor agregado ao produto, de cada segmento econômico analisado.

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O que se conclui, portanto, é que a logística representa vantagem competitiva estratégica e que a relação das empresas, junto a seus parceiros logísticos tem sido fator de sucesso empresarial. Inicialmente terceirizando o transporte, a administração de armazéns e serviços aduaneiros, mas prevendo no futuro, terceirizar atividades mais complexas e estratégicas. É uma tendência que se nota em todo o mundo: operadores logísticos deixando de ter atividades estritamente operacionais para terem posições mais estratégicas dentro de seus clientes. Veremos essa evolução mais à frente.