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Novas exigências se impõem aos Operadores Logísticos

Fruto de um cenário que favorece o crescimento e a evolução das empresas prestadoras de serviços logísticos, e diante da necessidade de se alcançar diversidade nos seus negócios, é que muitas empresas, no Brasil e no mundo, notadamente aquelas oriundas dos setores de transporte, armazenagem e de comércio exterior, têm direcionado seus esforços e investimentos para construir bases para uma eficiente prestação de serviços.

Precisam, portanto, dar maior ênfase às atividades que, por princípio, compõem um prestador de serviços logísticos típico:

  • Transporte e distribuição, nacional e internacional, inclusive logística reversa,
  • Armazenagem e centros de distribuição (com diversos outros tipos de serviços aí incluídos, tais como: inventários, separação de mercadorias, unitização, montagem de ‘kit’, embalamento, roteirização, etc.),
  • Controles de estoques (de insumos, produto final e embalagem),
  • Logística interna e sub-montagem de conjuntos (“assembly”),
  • Operações portuárias, aduaneiras e de comércio exterior,
  • Suporte Tributário, considerando a complexidade dos tributos brasileiros e internacionais e as oportunidades de benefícios econômicos existentes,
  • Consultoria em “supply-chain”,
  • Gestão de fornecedores, através dos conceitos de 4PL (Fourth Party Logistics Provider) ou LLP (Lead Logistics Provider),
  • Fornecimento de equipamentos e estruturas operacionais (inclusive no conceito do “built to suit” quando for o caso),
  • Programas de relacionamento transparentes e objetivos

Efetivamente, as empresas que se dedicarem à prestação de serviços logísticos, de uma forma geral, precisarão aprender muito e aumentar suas abrangências setorial e regional e atuar em novos serviços e segmentos de mercado, ainda não totalmente explorados. Essas empresas se obrigarão a reforçar, portanto, que a prestação de serviços de logística integrada é uma grande oportunidade empresarial e deverá ser o foco e a atenção principal de seus negócios nos próximos anos.

Como se viu no artigo anterior, “os prestadores de serviços logísticos têm que desenvolver soluções personalizadas (“customizadas”) e adaptadas às exigências e necessidades de cada cliente. Conforme explicado, o serviço a ser prestado deverá se caracterizar por uma “competência aplicada a uma solução complexa desenvolvida com o cliente”. Estamos, portanto, falando de serviços personalizados e que criem valor aos produtos de seus clientes, pois eles necessitam se diferenciar de seus concorrentes (sempre a custos aceitáveis). Precisam, também, ter operadores logísticos com disponibilidade de recursos, sejam eles financeiros, humanos, tecnológicos ou materiais, principalmente de acesso aos avanços da tecnologia da informação relacionada à integração da cadeia de suprimentos.

Velhos e Antigos Problemas

Mas é preciso notar, também, que, se no passado terceirizaram-se atividades menos complexas (transporte, armazenagem, etc), está chegando o momento no qual as empresas de logística estão sendo solicitadas a terceirizar atividades novas e mais sofisticadas. Pesquisas do Coppead/UFRJ e do ILOS (Instituto de Logística e Supply Chain), realizadas pelos menos de dois em dois anos, mostram claramente que os serviços que mais têm sido terceirizados ultimamente, são aqueles menos ‘tradicionais’: (i) desenvolvimento de projetos e soluções logísticas; (ii) gestão de estoques; (iii) montagem de “kits”; e (iv) gerenciamento de transporte multimodal.

Diante das novas exigências dos “tomadores de serviços logísticos”, vale aqui ressaltar a necessidade de se equacionar, também, eternos conflitos entre estes e os operadores logísticos. O quadro a seguir procura resumir alguns deles:

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Se por um lado os usuários dos serviços logísticos buscam trabalhar com custos variáveis, os operadores logísticos necessitam estabelecer custos que, na maioria das vezes, são fixos. Enquanto operadores buscam trabalhar com diversos clientes, como forma de “amortizar” e aumentar a produtividade de seus ativos, os tomadores de serviços logísticos querem operações cada vez mais dedicadas.

Contratos de longo prazo não garantem volumes, posto que as premissas sempre se baseiam nos movimentos do mercado. Mas é evidente que, ao fazer seus investimentos – em estrutura ou ativos – os operadores necessitam de volumes mínimos para assumir determinados riscos, enquanto seus clientes querem ter custos variáveis e adaptáveis às evoluções e comportamentos de seu mercado.

Quando se trata de grandes investimentos, então, os problemas são ainda maiores, pois alguns deles exigem retorno em longo prazo (mais de 5 anos, por exemplo), enquanto os clientes dos OL’s vislumbram apenas o tempo contratual. É verdade que aqueles OL’s que fizeram grandes investimentos nessa nova operação ou serviço, criaram “barreiras” à entrada de outros concorrentes. Mas, de qualquer forma, sempre haverá uma nova concorrência de mercado.

Outra grande dificuldade existente na relação entre operador logístico e tomador de serviço logístico é a visão de custo logístico total.

Enquanto o OL tem uma clara visão do custo logístico total, uma vez que precisa colocar preços em todos os itens que compõem essa prestação de serviços, seus clientes (os tomadores de serviços) nem sempre conseguem visualizar todos os custos envolvidos. Isto ocorre porque, quando se terceirizam operações logísticas, muitas delas possuem custos “espalhados” por quase toda a estrutura da empresa sem, muitas vezes, fazer parte dos custos logísticos da empresa contratante.

Um operador logístico, por exemplo, que terceiriza a preparação ou montagem de embalagem para seu cliente e inclui o custo desse serviço no frete da mercadoria, terá, evidentemente, um frete mais caro do que o anterior, o qual não incluía esse serviço de embalar. É possível, inclusive, que essa embalagem, anteriormente à terceirização, fosse adquirida por outro setor de compras e tivesse esse custo fora da rubrica de logística. Dezenas de outros exemplos poderão ser citados, tais como: serviços de controles diversos, serviços de acompanhamento, de gestão, de comércio exterior, etc.

Novos Desafios da Terceirização Logística

Portanto, juntamente com os aspectos comuns de atenção (processos e medidas de desempenho específicas e estrutura e organização adequadas), há a necessidade de se ter um posicionamento estratégico perante o cliente e alcançar algumas convergências de objetivos no processo de terceirização, dos quais vale destacar:

  • Planos de ação claros e detalhados, tanto na implantação como na execução das atividades e que contemplem a disciplina operacional e de planejamento;
  • Planos de comunicação – interno e externo – que criem clima de confiança mútua e ajudem e tranquilizem funcionários e clientes durante todo o processo de mudança;
  • Implantação de normas e procedimentos, com auditorias de processos;
  • Sistema de medições permanentes, através de KPI´s que reflitam a operação, o nível de serviço, as obrigações contratuais e os parâmetros de mercado (“benchmarking”);
  • Programas efetivos e permanentes de melhoria contínua;
  • Cuidados especiais para obtenção da sustentabilidade empresarial;
  • Manutenção de executivos e profissionais sempre atualizados e com níveis altos de formação teórica e conceitual, com programas específicos de busca e retenção de talentos.

Adicionem-se a isso desafios que se apresentam, atual e especificamente, às empresas que se propuserem a prestar serviços de logística integrada:

1)    O poder de barganha dos grandes clientes;

2)    Maior competição e aumento dos principais custos operacionais (aumento no custo de transporte, em face do próprio custo do combustível, da congestão dos portos, do novo Estatuto do Motorista – necessário e imprescindível à segurança e à qualidade do trabalho – e das dificuldades operacionais surgidas principalmente nos grandes centros urbanos) têm diminuído a rentabilidade do setor;

3)    Competição entre prestadores de serviços locais e prestadores de serviços globais;

4)    Modelos contratuais que compartilham, além dos prêmios, os riscos inerentes à operação,

5)    Migração de serviços tradicionais para outros que agregam valor, mas que, sem dúvida, aumentam sua complexidade;

6)    Respeito à Sustentabilidade e ao Meio Ambiente e o Gerenciamento de Riscos se tornando cada vez mais importantes e sofisticados.

Conclusão

Poucas empresas, com mais razão ainda no Brasil, têm capacidade para dar um suporte global e integral para seus clientes e que contemplem a avaliação, o desenho, a criação, a implantação e a operação do serviço logístico. Além do que a terceirização logística exige adaptação cultural e muita capacitação e o ambiente competitivo, por sua vez, obrigará os operadores logísticos a buscar maior escala na operação, como forma de melhorar as margens.

As empresas que se propuserem a administrar e a operar a cadeia de suprimentos terão mais oportunidades e mais atividades para gerenciar, desde que, através de práticas que respeitem as pessoas (valorização dos recursos humanos) e de ações socialmente responsáveis, desenvolvam instrumentos para manter seus negócios e agreguem valores a clientes e acionistas. Entretanto, será exigido um conhecimento logístico mais intenso e profissional.