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Mercado e Expectativas para a Logística no Brasil para os Próximos Anos

Mundo Logística - Edição Especial

Os gastos logísticos vêm crescendo no mundo todo, conforme aumenta a movimentação de produtos acabados e insumos entre os centros produtores e consumidores, seja no mesmo país ou entre nações. Essas operações são cada vez mais complexas e precisam ter eficácia. Há que melhorá-las em todos os seus aspectos: velocidade, qualidade, integridade da carga e custos.

 

Se a logística já tinha como missão entregar o produto certo, na quantidade certa, no lugar certo, no tempo certo e com o menor custo possível, agora está incorporada à estratégia empresarial e governamental. O sucesso de empresas e nações depende, em larga escala, da integração eficiente das atividades econômicas, papel central da logística.

O planejamento e a execução eficaz da logística diminuem os custos operacionais dos países e das empresas, possibilitam acesso a novos mercados de insumos e ajudam a alavancar a força do marketing, a explorar mercados mais distantes, a agregar valor ao produto e a gerar satisfação ao cliente.

No Brasil, essa atividade cresce em importância no momento no qual o mercado interno brasileiro se expande. Dados do Ministério do Desenvolvimento Social mostram que nos últimos oito anos o volume total dos salários pagos aos brasileiros aumentou quase 6% ao ano e que essa evolução, aliada ao baixo nível de desemprego, fizeram com que a classe C passasse de 36% para 54%

E consumidores cada vez mais exigentes, como indicam outros estudos. Gouvêa de Souza e Accenture indicam que a nova classe média quer serviços rápidos e que 94% dessas pessoas, quando não atendidas pela falta de estoque, comentam “suas decepções” com conhecidos.

Esse aumento no poder aquisitivo e a melhoria das condições de crédito (inclusive com a queda gradual dos juros até pelo menos meados do ano passado), fizeram com que novos mercados surgissem em regiões até então inexistentes. Regiões como o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste do Brasil e o interior dos estados do Sudeste, comprovadamente, alcançaram níveis de gastos superiores se comparados com as regiões metropolitanas.

 

As distâncias mais longas e o acesso mais difícil a esses novos centros consumidores estão exigindo operações logísticas mais elaboradas e complexas.

 

Para completar esse quadro de mudanças favoráveis e desafiadoras para a logística brasileira, as exportações do país saltaram de US$ 55 bilhões para US$ 256 bilhões entre 2000 e 2011. E o volume de nosso comércio exterior quadruplicou no mesmo período, de US$ 110,9 bilhões para US$ 482,3 bilhões. Mesmo com queda nos dois anos seguintes (US$ 465,7 bilhões em 2012 e US$ 481,8 em 2013), o crescimento do comércio exterior foi bastante significativo entre 2000 e 2013: aumento de 334,5%! Consequentemente as movimentações nos portos, aeroportos e nas fronteiras aumentaram de forma extraordinária, exigindo providências urgentes, seja na infraestrutura como nas organizações das empresas, tomadoras ou prestadoras de serviços logísticos.

 

Apesar das tentativas governamentais para se “organizar” e “acompanhar” os investimentos em infraestrutura (PACs, Programa de Investimentos em Logística, etc), os resultados ainda deixam muito a desejar. Essas iniciativas, porém têm, no mínimo, o mérito de colocar a logística no centro das prioridades do governo e das discussões da sociedade civil.

 

Mesmo considerando que a maioria está satisfeita com seus operadores logísticos atuais, as exigências junto a estes últimos também crescem na medida em que as empresas usuárias veem a logística como instrumento estratégico e fator de diferenciação empresarial, posto que necessitam realizar esforços no sentido de: a) melhorar suas cadeias de suprimentos, b) melhorar o atendimento aos clientes; c) melhorar seus processos e a tecnologia de informações; d) reduzir estoques; e) reduzir custos.

 

Em recente pesquisa, o ILOS nos mostra que:

 

1º) Se em 1994 ainda não existia a função “logística” nas empresas, em 2012, em 74% das empresas esse assunto é responsabilidade da Diretoria ou da Presidência das empresas pesquisadas;

 

2º) 42% dos executivos entrevistados acreditam que a terceirização da logística irá aumentar e 44% acreditam que manterão o mesmo nível;

 

3º) Entre 2006 e 2011, as fusões e aquisições entre empresas de logística aumentaram em 115%, mostrando a forte procura pela consolidação dessas atividades no Brasil.

 

É claro que os problemas da infraestrutura logística brasileira ainda deverão perdurar por mais alguns anos, considerando-se que são obras de vulto e de grande complexidade. Também é considerado o fato de que o Brasil ainda terá problemas complicadíssimos para superar (sociais, políticos, econômicos, energéticos, etc), mas assim como ocorreu nas nações desenvolvidas, o País segue para maior terceirização das operações logísticas. E essa terceirização, agora em atividades mais complexas, exigirá que os operadores assumam papéis estratégicos na cadeia de suprimentos das empresas que querem, com eficácia, alcançar os novos mercados em expansão no país. São, portanto, grandes oportunidades de negócio literalmente espalhadas por todo o Brasil.