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Quando aceitar é conviver

Revista Mais Diesel - SP

Programa da Veloce Logística orienta mais de 500 colaboradores para receber e respeitar colegas com deficiência. Companhia foi certificada pela Apae pelo trabalho de inclusão

Perla Rossetti

Em países emergentes a sustentabilidade empresarial tem ganhado peso até na admiração e engajamentos dos trabalhadores. As empresas estão assumindo o protagonismo da questão de acordo com estudo da consultoria internacional de negócios Bain & Company. Nele,  43% dos pesquisas de países em desenvolvimento disseram que os funcionários têm uma influência considerável sobre compromissos de sustentabilidade da empresa, contra 25% em mercados desenvolvidos. Foram ouvidos cerca de 750 funcionários de diversas indústrias no Brasil, China, Índia, Alemanha, Reino Unido e os EUA. Para 60% dos entrevistados seria possível até aceitar salários mais baixos e trabalhar numa empresa com espírito sustentável.  O engajamento dos funcionários em grandes empresas é bastante relacionado à atuação do gerente ou do chefe direto, segundo outra pesquisa, desenvolvida pela MSW Research para a Dale Carnegie Training.
Seguindo a tendência de mudança do foco de programas que “fazem o bem” para novos processos produtivos, a Veloce Logística implantou o projeto “Conviva com a Diferença”. Os funcionários participam de palestras promovidas pela consultoria Trainning People e pelo Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência (Padef), do governo do Estado de São Paulo.
Além de reposicionar a visão sustentável da empresa, o projeto atende a exigência da Lei Federal 8.213 de que as empresas com mais de 100 funcionários destinem de 2% a 5% das vagas de emprego às pessoas com deficiência.
Porém, tão importante quanto cumprir a cota é saber como integrar esses profissionais à equipe, com respeito à capacidade de cada um e colaboração mútua. Assim, a Veloce contou com o Padef para auxiliá-la com palestras para gestores e colaboradores de julho a setembro de 2013 e com a Training People para realizar a sensibilização da liderança. O critério alinhado com a diretoria da companhia foi estender todas as vagas também para os profissionais com Deficiência (PcD’s), observando apenas se o local de trabalho é adaptado para que o funcionário execute suas atividades. Ao todo, mais de 500 funcionários da empresa já passaram por este treinamento e integração.

E este ano, a Veloce também foi certificada pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Guarulhos, em São Paulo, pela inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Adaptações

De fato, algumas vagas são muito específicas e nem sempre é possível encontrar uma pessoa com todas as habilidades que a empresa exige, aponta a pedagoga e diretora da Associação Pepa – Projeto Especial para Adolescentes e Adultos, que dá consultoria na área, Claudia Brondi Calabria. “Por isso, procuramos a capacitação das vagas. Pode-se desmembrar as funções, identificando se outro funcionário está sobrecarregado e pode ser ajudado em tarefas simples por um funcionário com necessidades especiais”.

A customização da vaga é uma alternativa, mas ainda depende da empresa aceitar a nova forma de trabalho, de rever o papel de todos os outros funcionários e não só daquele que está chegando, comenta a pedagoga.

Apesar de bem intencionada ao propor a cultura inclusiva no País, a Lei nº 8.213/91 de cotas de até 5% no quadro de funcionários para Portadores de Necessidades Especiais (PNE) trouxe uma dificuldade para as organizações. Em várias regiões as empresas não conseguem preencher as vagas por não encontrar candidatos, e quando os localiza, falta qualificação ou enfrentam os problemas da baixa escolaridade.

E só indicação não funciona, segundo a pedagoga Claudia. Ela explica que para a inclusão efetiva no mercado é preciso um mapeamento de atividade, limites e acompanhamento da pessoa com deficiência intelectual ou física e da própria empresa. “Trabalhamos o perfil, habilidades e capacidades dela e, depois, vamos atrás da vaga. Temos de adaptar o espaço, às ferramentas, dar apoio e criar meios da pessoa trabalhar de forma efetiva e eficaz”.

Para as empresas que atuam sozinhas nessa jornada, Claudia indica caminhos como programas das prefeituras e as Centrais de Atendimento ao Trabalhador. “A internet facilita bastante na procura, além das secretarias municipais e estaduais da pessoa com deficiência, que são canais de informação, inclusive para tirar dúvidas, ver as novidades em leis, e buscar os benefícios e contrapartidas para as empresas”.

Experiência

O jovem Savio de Oliveira da Silva, de 18 anos, portador de deficiência intelectual, é um dos profissionais admitidos pela Veloce. Desde outubro de 2013 ele é ajudante no Centro de Cargas da empresa em Guarulhos (SP). “Fui muito bem recebido. Meu líder me deu um bom treinamento para que eu desenvolvesse as atividades do setor. Sinto-me respeitado”, afirma.

O líder do Armazém da Veloce, José Anacleto Junior, destaca a importância do programa de integração. “Aprendemos como lidar com a diferença e a fazer um melhor acompanhamento destes colegas. Estou muito satisfeito com os funcionários portadores de deficiência que tenho no setor”, declara.

O presidente da Veloce, Paulo Guedes, comenta os resultados da iniciativa integradora: “Nosso time está compreendendo que todos temos limitações e que o trabalho em equipe exige colaboração para que cada um faça o melhor”.

Porte
A Veloce Logística estima fechar 2014 com um faturamento de R$ 300 milhões, o que totaliza um crescimento de 231% em cinco anos de atividades. No final de 2013 a receita da empresa havia atingido um aumento de 207%. Estes dados foram divulgados pelo presidente da companhia, Paulo Guedes, durante a coletiva de imprensa realizada no segundo dia (2/4) da Intermodal South America.

A empresa investiu R$ 5 milhões em tecnologia e infraestrutura com um centro de armazenagem de 33 mil m² e um pátio de seis mil m² para atender os serviços de agendamento de entregas, gestão de pátio, recebimento de materiais, estocagem, separação de pedidos, gestão de estoque e outras atividades. Além disso, a Veloce dobrou o número de funcionários para atender a General Motors, o contrato representa 65% do faturamento da empresa.
Outro ponto positivo foi que mesmo com o aumento da produtividade do transporte de cargas, nos últimos três anos, a companhia conseguiu reduzir em 9% a emissão de poluentes no ar, mais um de seus compromissos previstos nos pilares da sustentabilidade.

Exemplos

Para se ter uma ideia do tempo que a integração pode levar, na Transportadora Americana (TA) implantou o Programa “Levando Igualdade” – um projeto piloto de inclusão de pessoas com deficiência no segmento de transporte, desenvolvido pelo Senai – Sest Senat e Sindicamp levou oito meses.
Com disposição para o assunto, já que conta com profissional deficiente há 35 anos, a distribuidora de autopeças Bezerra & Oliveira, em Fortaleza (CE), tem 15 colaboradores alocados em diferentes funções, como auxiliar de estoque, conferente, serviços gerais e informática, e ainda assim precisa acelerar o processo de contratação para evitar problemas. Diretora de Recursos Humanos, Claudia Bezerra comenta a dificuldade em preencher o quadro. “Há mais vagas do que candidatos qualificados. Não conseguimos contratar e, às vezes, aceleramos a seleção”.